Como a digitalização do setor elétrico está simplesmente acontecendo?
Seja bem-vindo ao nosso blog, onde buscamos elucidar as diversas inovações, aplicações e impactos de novas tecnologias no setor elétrico.

Para introduzirmos um pouco de tudo que iremos explanar em nosso blog, trazemos o pilar da discussão, como a tecnologia está se fazendo cada vez mais presente no setor de energia e que transformações e impactos isso acarretará. 


COMO A DIGITALIZAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO ESTÁ SIMPLESMENTE ACONTECENDO? 


Tudo começa há algumas décadas atrás, com a vinda da internet, muita coisa ao nosso redor mudou, mudou de forma, de processo, de tempo e de custo. Com o setor de energia isso não foi diferente. Vivemos nos últimos 20 anos a transformação do mercado por um todo, abrindo novas possibilidades e oportunidades, mas ao mesmo tempo trazendo alguns desafios, os quais sem a tecnologia como aliada, não serão possíveis de serem solucionados. 

O processo de acesso à internet, processo este que pode ser denominado como a ponta da digitalização, nos apresentou um novo mundo: nos permitiu não somente nos comunicar, como também acessar e trocar todo tipo de informação de forma extremamente rápida e eficiente.  


 

A digitalização impactou diretamente em mudanças de hábitos, consumos e serviços, fomentando a nossa conhecida Indústria 4.0 e impactando de diversas formas a maneira como “consumimos energia”. 


E como a digitalização ocorreu dentro do setor elétrico? 

Houve um processo no qual as informações de consumo, principalmente dos consumidores cativos¹, passaram a ser disponibilizadas digitalmente, tornando o acesso à informação mais fácil e o processo mais transparente para o consumidor final.  

Foi dessa forma que, há mais de 10 anos, o consumo saiu do papel e a digitalização no setor elétrico começou a ocorrer de forma acelerada devido a modernização do mercado e a facilidade de o consumidor lidar com processos e pagamentos de forma digital. 

Este processo não se deu por si só, com a abertura do mercado livre de energia e flexibilização dos modelos de compensação de energia em geração distribuída, houve um impulsionamento no mercado através da possibilidade de se ter novos modelos de negócios que não dependessem totalmente da distribuidora de energia. Todos esses modelos necessitavam de acesso à informação, demandando serviços que até então não tinham a necessidade de existir, e com isso mostraram que novas formas de se abordar o consumidor começavam a ser possíveis.  


 


A eminente demanda por informação do setor elétrico nos deixou visível o fato de que faltavam ferramentas para que esses processos realmente pudessem ocorrer no digital e pudessem impulsionar o ganho de escala necessário para “competir” efetivamente no setor, catalisando ainda mais o setor de tecnologia. 

Hoje em dia já vemos diversas ferramentas digitais sendo aplicadas no setor de energia, sejam software ou hardwares, tanto em geração distribuída quanto no mercado livre, além do próprio mercado cativo, a fim de expor realmente aquilo que o cliente está contratando, como por exemplo propostas comerciais, alterações de modelos tarifários ou modelos de compensação de energia. Com o avanço da digitalização, flexibilização de processos e a facilidade de alcance ao consumidor final, começamos a ver de fato novos competidores fornecendo propostas que realmente geram benefício econômico ao consumidor final, e esta barreira está realmente próxima de se “desfazer” por completo, mudando toda dinâmica que conhecemos sobre consumo de energia. 



Essa dinâmica nos traz também problemáticas que ainda não são debatidas de forma ampla e precisam de atenção. Com o avanço da tecnologia vem responsabilidade, hoje nos deparamos em processos com os quais nem todas as partes estão efetivamente “digitalizadas”, sendo um forte gargalo para que tanto o setor quanto novas tecnologias possam se desenvolver, além claro de toda preocupação com LGPD e o uso efetivamente dos dados do cliente e de seu consumo de energia. 

As automações e inteligências que já existem no setor estão realmente mudando a forma do mercado de energia. Velocidade de contratação/migração e facilidade de acesso à informação, para uma perspectiva mais simples do consumidor final de seu gasto com energia elétrica, é um dos fatores cruciais para que qualquer barreira se rompa em termos de efeito manada dos consumidores. Nossa grande barreira mercadológica definitivamente não será tecnologia e sim a educação do consumidor para as novas possibilidades de se consumir e contratar energia, e a educação digital sobre como utilizar ferramentas e gerenciar processos/contratos. 


Em nosso atual momento tecnológico e regulatório, teremos uma grande mudança no que diz respeito a origem de nossa energia e de quem estamos efetivamente comprando, mudança a qual sem o avanço da tecnologia, será impossível. Esse shift de consumo do mercado cativo para os modelos de compensação de energia ou mercado livre, trará ainda mais força para que a tecnologia seja fundamental no processo, e com isso um novo mercado de energia se consolidará, na mão daqueles que forem capazes de se adaptar e automatizar todo o processo ponta a ponta. 

Tudo o que foi mencionado está ocorrendo de forma simultânea e acelerada. A digitalização está ocorrendo por uma conjuntura de fatores e a tendência é continuar sua expansão e presença no setor elétrico, dando cada vez mais dinamicidade e transparência ao consumo de energia. 

Os próximos passos? Bom não sabemos ao certo qual o caminho, mas sabemos que, informação, será o grande pilar da transição de modelo de consumo, e será cada vez mais relevante na tomada de decisão de muitos consumidores. Nos resta apenas “pavimentar a estrada” e nos preparar para uma nova onda de consumidores de energia, cada vez mais conscientes e digitais. 


Quer saber quais desafios nos esperam para a digitalização do consumidor?

Fique ligado em nosso Blog e acompanhe nossos próximos artigos, que visam elucidar a digitalização do setor elétrico.

¹Consumidores que necessariamente só tem a opção de compra de energia da concessionária local, p.e. residências, comércios etc. 



Artigo escrito por: 

Lincoln Romaro 

Sócio-Diretor Inowatt 


Sobre o autor: 

Eng Eletricista formado UNIFEI, especialização em Energias Renovaveis na TU Dresden - Alemanha. Desenvolvedor de inovação em negócios e tecnologia, atua a mais de 6 anos no setor de energia renovável, com atuações que vão desde a área consultiva, a estratégia e inteligência de mercado. Participou no design de diversos negócios digitais para o setor de energia, onde hoje, atua com maior ênfase em digitalização de processos, automação e inteligência de dados. Movido a desafios e engajado em resolver problemas. Inovador na forma de pensar em problemáticas e soluções que envolvem o mundo digital, dedicado a trazer tecnologia e inovação para nossa realidade cotidiana, de modo sustentável e com alto impacto socioeconômico.